Professor cearense gasta 17% do tempo em sala para manter a ordem

Por Isabel Costa ([email protected])

Ceará é o estado onde os docentes gastam menos tempo na organização das salas. No Brasil, professor precisa dedicar 19,8% da aula à indisciplina.

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O professor tem, em média, 50 minutos para apresentar conteúdos aos alunos, explicar a matéria, resolver exercícios, fazer dinâmicas, ler textos. Além disso, precisa cumprir tarefas administrativas como fazer a chamada e garantir a organização da sala – atividades que consomem minutos preciosos.

No Ceará, os docentes da rede pública gastam 17% do tempo letivo para a manutenção da ordem da sala. É o menor percentual do País, onde, em média, o tempo perdido com organização da turma é de 19,8%. Assim, minutos que poderiam ser usados para explorar um conteúdo novo são desperdiçados com pedidos de atenção e tentativas de fazer os estudantes pararem para ouvir.

Os dados são da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis), divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e elaborada a partir de entrevistas com professores do 6º ao 9º ano. Os brasileiros são os que declararam, entre os 34 países da pesquisa, passar mais tempo tentando manter a ordem da sala. No mundo, a média de gasto é de 12,9%.

Comparado aos outros estados, o Ceará tem o maior período dedicado a ensino e aprendizagem de fato – 70,7% do tempo em sala. Nas tarefas administrativas, como fazer a chamada, os docentes cearenses levam 11,8% do tempo.

Segundo Jacques Therrien, pesquisador de Educação, para o bom desenvolvimento das aulas é necessário ter família, gestão escolar, disponibilidade do docente e cooperação dos alunos. “Em turmas de 50 estudantes não é possível atender todos individualmente. Mas é preciso procurar maneiras para fazer o aluno se sentir entendido e sentir que o professor está se dirigindo para ele como pessoa”, defende.

Esse trabalho com a afetividade e a sensibilidade é apontado como caminho para alcançar a boa convivência. Para lecionar, explica Jacques, não basta dominar o conteúdo. Se um aluno tem problemas familiares, é natural que ele se manifeste. Mais do que condenar as situações de indisciplina, geradoras de desordem, é necessário dialogar.

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Diálogo

Benedita Teixeira, professora da Escola Municipal José Alcides Pinto, descobriu o diálogo como maneira de manter a organização e, consequentemente, não perder tempo de aula. “Conversamos sobre a importância de respeitar o outro. No meio do caminho, alguém pode não aceitar. Mas precisamos compreender que eles são adolescentes e estão em uma fase especial, uma fase de transição. É nesse momento que entra a conversa e a afetividade”.

Fonte: Jornal O Povo

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